Pintor de paisagem, gênero e história, nasceu em Niterói, no bairro de São Domingos, em 21 de janeiro de 1861. Filho de Jacintho Antonio Diogo da Silva Parreiras, negociante de joias, e Maria Rosa da Silva Parreiras. Com a morte do pai em 1874, a viúva empregou o filho numa casa de maquinas para lavoura. Alguns anos depois, Antonio Parreiras foi trabalhar no escritório central da Estrada de Ferro de Cantagallo. Ali tinha tempo para estudar. Em 1881 matriculava-se na Academia de Bellas Artes do Rio de Janeiro. Nessa ocasião, conheceu Georg Grimm, pintor alemão e professor da cadeira de Paisagem, Flores e Animais, cujas aulas Parreiras passou a frequentar.

No ano seguinte, desligava-se da Academia para seguir o mestre que, rompendo seu compromisso com a instituição, lidera seus alunos mais talentosos na prática das aulas de pintura de paisagem ao ar livre. Estava criado o Grupo Grimm, integrado por Antônio Parreiras, Giovanni Battista Castagneto, Domingo García y Vázquez, Hipólito Caron, Thomas Driendl, Joaquim José da França Júnior e Francisco Joaquim Gomes Ribeiro, movimento estético que caracterizou o início do paisagismo brasileiro no século XIX.

Em 1886 realiza sua primeira exposição individual na Casa De Wilde, no Rio de Janeiro. A exposição teria sido um fracasso, não fosse um único detalhe, a visita ilustre de D. Pedro II, que fez do evento um dos grandes sucessos da época. Porém, Parreiras não se limitou à paisagem, mesmo que a exposição inicial lhe tivesse aberto um caminho favorável para comercializá-lo. Influenciado por Victor Meirelles, adotou também a pintura de cenas históricas. Sempre realizadas em grandes formatos, com a utilização de muitas figuras em suas composições e procurando sempre realçar fatos e heróis regionais.

Desde então sucedem-se várias outras exposições, alternadas a excursões ao interior e ao litoral do Estado do Rio de Janeiro, de onde o pintor sempre trazia novos trabalhos.

Em março 1888 viaja à Europa, estabelecendo-se em Veneza, onde frequentou a Academia de Belas Artes, nas aulas de Feilipo Carcano. Durante 2 anos percorreu a Itália, França e Alemanha em uma viagem fundamental para a sua trajetória artística.



De volta ao Brasil, dois anos mais tarde, encontrou consumadas duas obras: a abolição e a República. realizou importantes exposições e participou da Exposição Geral de Belas Artes, primeira realizada sob o regime republicano, obtendo pequena medalha de ouro e a aquisição de três pinturas realizadas na Itália. Neste mesmo ano, é nomeado professor da cadeira de paisagem da Escola Nacional de Belas Artes, cargo que ocupou por pouco tempo.

Panorama de Nictheroy (1892)
Tem então a oportunidade de colocar em prática um grande sonho: ao se tornar professor de pinturas de paisagens na Escola Nacional de Belas Artes, por influência de Benjamin Constant, leva seus alunos para pintarem ao ar livre, recordando os velhos ensinamentos de Grimm. Desavenças com aquela instituição, por causa dessa sua prática, levaram a Escola a extinguir a aula de Paisagem. Se livraram dele. Resolveu lecionar por conta própria e para tanto criou, em Niterói, a Escola ao Ar Livre, inspirada na Escola da Boa Viagem, anteriormente liderada por Grimm.

Parreiras sentiu a mão forte dos seus adversários gratuitos, mas não se intimidou. A Arte por que tanto se sacrificara havia de recompensá-lo. Reuniu os seus quadros pintados em várias épocas, aqui e no estrangeiro, e seguiu para São Paulo, onde produziu verdadeiro sucesso com uma exposição. Nem um quadro lhe restou, ficaram todos nos salões da Pauliceia. A Arte deu-lhe, assim, meios de construir uma casa para habitar com a sua família. Foi o seu atelier de São Domingos.

Em 1891 recebeu do governador Francisco Portela uma encomenda glamorosa, que teve o pendão de carimbar definitivamente seu nome no panteão dos grandes artistas do país. Um quadro para representar a então capital do Estado na famosa Exposição Universal Colombiana de Chicago. Para realizar os estudos da tela denominada Panorama de Nictheroy, Parreiras se colocou em uma das abas do morro de São Lourenço, de onde era possível observar todo o casario da Praia Grande.

Em 1896, com outras telas valiosas, Parreiras expôs o grande quadro "As Sertanejas", adquirido depois por Manoel Victorino, presidente da República interino, para o Palácio do Catete, em cuja decoração interna o autor foi chamado a colabororar, pintando, com Decio Villares, um soberbo painel do salão de música.

Para o Palácio do Supremo Tribunal de Justiça, no Rio de Janeiro, Parreiras pintou dois grandes quadros: "Suplício de Tiradentes" e "Bahia Cabrália", tendo corrido sob sua orientação os demais trabalhos decorativos.

Entre 1906 e 1919 viajou com frequência à Europa, com longas permanências em Paris, onde manteve ateliê e expôs com sucesso nos salões oficiais, exibindo, em 1907, sua primeira tela representando um nu feminino, gênero que o notabilizou no ambiente artístico francês. No Brasil, seu trabalho foi reconhecido com êxito através de inúmeras encomendas que realizou para os palácios de governo dos estados brasileiros concebendo pinturas de temas históricos.

Paisagem com Riacho
A consagração foi confirmada nas premiações conquistadas: grande medalha de ouro e medalha de honra nas Exposições Gerais de Belas Artes, promovidas pela Escola Nacional de Belas Artes, em 1918 e 1923, respectivamente, entre outras. Em 1926, publicou "História de um Pintor" contada por ele mesmo, autobiografia que lhe marcou a entrada para a Academia Fluminense de Letras.

Diversas literaturas nos mostram um Parreiras impetuoso, de fácil irritabilidade e muito genioso. São narradas várias desavenças suas, com artistas de sua época. Um exemplo disso foi o abandono da Academia de Imperial de Belas Artes do Rio de Janeiro, para frequentar um curso livre de pintura, ministrado por Georg Grimm. Não acompanhou seu mestre na viagem pelo interior do Brasil, seguindo seus estudos de forma autodidata até 1885. Só em 1888, quando viaja à Europa, é que aperfeiçoa sua técnica na Academia de Belas Artes de Veneza.



Parreiras sempre foi muito batalhador e com uma capacidade de trabalho admirável. Tido como um dos mais bem sucedidos pintores brasileiros de sua época, viveu dignamente de seu trabalho, fazendo riqueza e vivendo em confortável situação financeira. Viajava sempre ao exterior e possuía, além do ateliê em Niterói, um outro ateliê em Paris. Lá, participou do Grande Salão por várias vezes.

Era comumente requisitado para pintura de palácios de governo, sendo de destaque o teto do Salão Nobre do Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte. Uma de suas mais bem sucedidas encomendas foi a tela "A Conquista do Amazonas", feita pelo governador do Pará, Augusto Montenegro. Tendo 4 metros de altura por 8 metros de comprimento, ainda é a maior pintura do estado do Pará, localizada no Palácio Lauro Sodré. Também dedicou à pintura de nus femininos, que lhe rendeu bastante prestígio, pela sensualidade que evocava de suas cenas.

Faleceu em Niterói, em 1937, em sua residência que, quatro anos mais tarde, viria a transformar-se no atual Museu Antônio Parreiras, dedicado à sua obra e vida.



    Crítica

    "Do que ele foi, no início da sua carreira, ficou o que deveria ficar, e esse bem merece ser estimado porque é a sua própria natureza, direi melhor – a sua individualidade, que exigiria as delongas de um estudo se o objetivo deste artigo não se limitasse ao comento impressionista das últimas obras reunidas. A sua paleta de hoje possui um brilho considerável e a mais delicada gama de suavidade, e o eixo sensível da sua visualidade apreende com segurança a síntese do motivo, que só um inteligente e contínuo estudo pode oferecer de maneira tão satisfatória. Dessas duas qualidades conquistadas, resulta para a sua arte uma fácil comunicação, uma certa clareza expressivista, que vai diretamente à emotividade do amador e o mantém em gozo permanente." LUIZ GONZAGA DUQUE ESTRADA, 1904

    Aretusa
    "A energia fogosa, a vivacidade de expressão, a impecável nitidez de traços, que se encontram na fisionomia máscula do mestre, refletem-se exatamente em sua obra formidável. Filho perfeito do nobre Brasil, onde três raças valentes se fundiram, para criar uma raça superior, que já é admirada e que espantará o mundo, ele imortalizou os acontecimentos maiores de sua pátria, em grandes telas históricas. É nessas obras de grande fôlego, e nas paisagens, que encontra toda a razão de Parreiras se sobreviver a si mesmo. Suas telas históricas não são grandes apenas pela dimensão. Diante delas as gerações novas brasileiras aprenderão sempre a gloriosa história dos seus antepassados. [...] Cada nação possui um escritor e um artista que a personificam de uma maneira direta. Para o Brasil, esse pintor é Antônio Parreiras, a maior figura de artista de sua pátria e uma das mais belas do mundo." GEROGES NORMANDY, 1928

    "Vida e obra do pintor Antônio Parreiras possuem enorme riqueza de contradições, no paradoxo de uma postura sempre enérgica e marcada pelo sucesso absoluto e constante. Nunca será precipitado admitir que este artista possa ser considerado, em sua autenticidade, como uma metáfora dos conflitos e dos múltiplos caminhos que ao longo dos anos se fazem comuns aos artistas brasileiros e ao próprio processo evolutivo de nossas artes visuais. Sem dúvida que sua personalidade, ao mesmo tempo em que tornou-se responsável pela evidenciação dos problemas com os quais o homem e o artista iriam bater-se de maneira intensa e apaixonada, determinou um resultado específico no âmbito da ética e no plano da estética." CARLOS ROBERTO MACIEL LEVY, 1981

    "Antônio Parreiras se formou pintor e ganhou estímulos que jamais lhe abandonaram o espírito e lhe enrijeceram o amor aos suntuosos espetáculos naturais. Desta forma, se habituaram seus olhos a aprender com a natureza, e a dela tirar a vitalidade que sua pintura sempre possui. Pouco a pouco, fazendo-se independente das limitações contidas no ensino de Grimm, fruto do rigoroso naturalismo que o fazia por demais objetivo ante as sugestões da natureza, Antônio Parreiras desembaraça mais e mais seus pincéis, enriquece suas tintas e envolve de fantasias sua visão. Torna-se um admirável paisagista, com predileção pelos temas praieiros. Traduziu com incontido enlevo os belos trechos das restingas de sua querida Praia Grande, que não cansou de palmilhar de sol a sol, apetrechos de pintor às costas." QUIRINO CAMPOFIORITO, 1983


    Série Histórica Antonio Parreiras

    Capítulo 1 - O Panno de Bocca do Santa Thereza
    Capítulo 2 - A Foz do Rio Icarahy
    Capítulo 3 - O Barrista
    Capítulo 4 - Os preparativos para a imersão na Europa

    Série "O Ararigboia de Parreiras"


Na sequência, "O Christo","Vencido", "Lar Infeliz", "Pescador de Trahiras" e "Esperando o Zagal"


Links externos

Gonzaga Duque: Antonio Parreiras em sua exposição de 1905: Transcrição do texto "“A Exposição do Mez", publicado na revista Kosmos, n.4, abril de 1905, pp.10-14, feita a partir de original pertencente à Biblioteca do Museu Nacional de Belas Artes – RJ. Com reprodução de ilustrações que acompanhavam a publicação original.

O caderno de notas de Antônio Parreiras, organização de Valéria Salgueiro: Pertencente ao acervo do Museu Antônio Parreiras, em Niterói, é um caderno com noventa páginas manuscritas onde o autor registrou observações suas sobre a arte e sobre questões técnicas da prática artística, especialmente sobre a pintura a óleo.







Publicado em 10/05/2013
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