LYGIA CLARK: TUDO QUE É CONCRETO SE DESMANCHA NO AR
 
 
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"Tudo o que era sólido se desmancha no ar, tudo o que era sagrado é profanado, e as pessoas são finalmente forçadas a encarar com serenidade sua posição social e suas relações recíprocas." (Karl Marx. Manifesto Comunista)

O Museu de Arte Contemporânea de Niterói abre, no dia 6 de setembro de 2014, às 17h, a exposição "Tudo que é concreto se desmancha no ar", da artista Lygia Clark. Com curadoria de Luiz Guilherme Vergara, as obras expostas fazem parte da Coleção João Sattamini, um dos principais conjuntos de obras do seu período de maturação e conquista do espaço-orgânico de Lygia, na década de 50.

A mostra apresenta uma rica passagem da artista pela abstração geométrica, porém, por meio desse conjunto de obras, se tem a própria genealogia de uma sensibilidade voltada à recuperação ou transbordamento da arte para a vida. Neste percurso intenso de transmutações ou da própria eclosão do plano submetido às representações, que surgem as novas formas de pensar sobre a emancipação da pintura e da artista.

Lygia Clark descobre a fita de Moebius – a contínua reversibilidade do dentro e fora – a dobradura e redobras que são o prenúncio de uma estética existencial – do vazio pleno, do caminhando. De um "Ato" de emancipação total das divisões entre artista e espectador – do criador e os múltiplos estados singulares da arte além da arte.

É desta eclosão de paradigmas racionais da arte concreta para o orgânico – vivo – ambiental, que cabe a inspiração do título em uma citação de Karl Marx. As obras da mostra encontram, na arquitetura do MAC, seu abrigo poético – uma sinergia vital com o arquiteto Oscar Niemeyer.

Lygia nasceu em Belo Horizonte, no ano de 1920. A pintora e escultora iniciou seus estudos artísticos em 1947, no Rio de Janeiro, sob a orientação de Roberto Burle Marx e Zélia Salgado. A partir daí, a trajetória de Lygia Clark faz dela uma artista atemporal e sem um lugar muito bem definido dentro da História da Arte. Tanto ela quanto sua obra fogem de categorias ou situações em que podemos facilmente embalar. A poética da artista, que estudou com grandes nomes como Fernand Léger (1881-1955), Arpad Szenes (1897-1985) e Isaac Dobrinsky (1891-1973), caminha no sentido da não representação e da superação do suporte.

Integrante do Grupo Frente (1954-1956) e uma das fundadora do Grupo Neoconcreto (1959), Lygia propõe a desmistificação da arte e do artista e a desalienação do espectador, que finalmente compartilha a criação da obra. Na medida em que amplia as possibilidades de percepção sensorial em seus trabalhos, integra o corpo à arte, de forma individual ou coletiva. Finalmente, dedica-se à prática terapêutica. Para Milliet, a artista destaca-se sobretudo por sua determinação em atravessar os territórios perigosos da arte e da terapia.


Serviço

"Tudo que é concreto se desmancha no ar", de Lygia Clark – obras da Coleção João Sattamini
Curadoria: Luiz Guilherme Vergara
Local: Salão
Abertura: 6 de setembro de 2014
Visitação: 6 de setembro de 2014 a 8 de março de 2015
Convidados Especiais: Lula Wanderley e Gina Ferreira

Museu de Arte Contemporânea - MAC
Endereço: Mirante da Boa Viagem, s/n – Niterói RJ
Informações: 21 2620 2400 / 2620 2481




Publicado em 01/09/2014






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