FORTE DO GRAGOATÁ
 
 
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Tombamento federal em 24/05/1938
Processo 101-T-38, inscrição n° 51 no Livro Histórico, Vol.1, fl.10 e inscrição nº 100 no Livro das Belas Artes, Vol.1, fl. 18

Praia do Gragoatá, 145 - Gragoatá

O Forte de Gragoatá está localizado num promontório rochoso na extremidade da antiga praia de São Domingos, no município de Niterói (Estado do Rio de Janeiro), hoje cortada pelo progresso, onde o Gragoatá (Cravatá ou Gravatá, designação genérica popular para a família das bromeliáceas) era a vegetação predominante, o que denominaria a posição.

A data de construção do Forte do Gragoatá é controversa; porém, em 17 de novembro de 1698, uma Carta Régia mandava pagar as obras ali realizadas por Pedro Gomes de Barros, obras que teriam sido malfeitas, a ponto de, em 1701, o vice-rei ter mandado proceder contra os empreiteiros por "falsificação das obras que haviam feito".

Fotografia do Forte de Gragoatá, feita no contexto da Revolta da Armada (1893-1895). Clique para ampliar
Remonta a uma Bateria instalada a partir de 1696, pelo governador do Rio de Janeiro, Sebastião de Castro Caldas (1695-97), que reaparelhou as fortificações do Rio de Janeiro por temer represálias das suas instruções às autoridades da Ilha Grande, Ilha de São Sebastião e Vila dos Santos, negando acolhida a navios franceses na costa ao sul do Rio de Janeiro. Em posição dominante sobre um rochedo, cruzava fogos com a Bateria da Boa Viagem e com a Bateria da ilha de Villegaignon. A Carta-régia de 17 de novembro de 1698 mandava pagar a Pedro Gomes e Pedro de Barros as obras realizadas na Bateria de São Domingos, obras essas que apresentando problemas estruturais já em 1701, necessitam reparos, tendo o governador do Rio de Janeiro, Francisco de Castro Morais (1699-1702), responsabilizado esses dois empreiteiros por "falsificação das obras que haviam feito".

O forte deveria cruzar fogo com o Forte da Boa Viagem e o Forte Villegaignon. No entanto, tendo sido desarmado em 1710, não ofereceu resistência à invasão promovida por Duguay-Trouin, no ano seguinte. Após a invasão, foi novamente rearmado, mas ficaria ora guarnecido, ora abandonado durante os anos que se seguiram.

Gravura do Forte de São Domingos de Gragoatá feita em 1845, com autoria de Louis Buvelot (1814-1888) e contribuição de Auguste Moreau (1818-1877); a gravura foi publicada por Lith.Heaton e Rensburg. Na gravura existem outras imagens e aparece titulada como 'Rio de Janeiro pitoresco". Clique para ampliar
Uma relação do governador do Rio de Janeiro, Antônio de Brito Freire Meneses (1717-19), informa a Lisboa que a Bateria de São Domingos passava a contar com dez peças de ferro e 426 balas de diferentes calibres. A posição consta na "Relação geral de todas as praças fortificadas em torno do porto e cidade do Rio de Janeiro", de autoria do Brigadeiro Engenheiro Jacques Funck. Em 1735, contava com 9 peças, 6 de 18 libras e 3 de 24 libras, alguns dos maioroes calibres da época.

Devido à grave crise econômica faceada pela regência, o Decreto de 24 de dezembro de 1831 manda desarmá-la. Em 1838, entretanto, encontrava-se artilhada por oito peças, e guarnecida por 70 praças, sob o comando do Major Antônio Salerno Toscano. A Portaria Ministerial de 09 de maio de 1848 encarrega o Coronel Engenheiro Antônio João Rangel de Vasconcelos de informar o estado da fortificação, fazendo recolher a artilharia que achasse abandonada.

Apenas na época da "Questão Christie" (século XIX), seria dignamente aparelhado, e teria recebido a reforma que o deixou com a aparência próxima à atual, inclusive a inscrição sobre o portão principal, que diz: "Sendo Pedro II Imperador constitucional e perpétuo defensor do Brasil foi acabada esta fortificação em 41 da Independência da Pátria/1863", mas resolvida a "Questão Christie", o forte foi novamente abandonado.

Fotografia da Bateria de 70 e canhão Bange na Fortaleza de Gragoatá, feita no contexto da Revolta da Armada (1893-1895). Clique para ampliar
As obras foram comandadas pelo Major Francisco Primo de Souza, foram realizados a abertura de um corte no morro atrás do forte, para servir de fossa; foi aberto um paiol de pólvora na rocha; os quartéis foram reconstruídos e as muralhas foram reforçadas. Como forma de estabelecer a comunicação entre as posições dos canhões durante um bombardeio, foram abertos túneis. A principal obra foi a construção de um “cavalero”, bateria alta, para complementar o fogo dos canhões do forte Mas, resolvida a Questão Christie, o forte foi novamente abandonado.

No início da República seria novamente rearmado, temendo-se movimentos restauradores da monarquia recém-deposta. Foi nessa época que o forte teria sua mais destacada atuação, na resistência às forças rebeldes, durante a Revolta da Armada (6 de setembro de 1893 a 13 de março de 1894). Os revoltosos desembarcaram na cidade em fevereiro de 1894, tendo sido reprimidos pelo Batalhão Acadêmico. Cessada a Revolta com a derrota dos revoltosos, o Marechal Floriano mudou o nome do forte para Forte Batalhão Acadêmico.

Fotografia da Fortaleza de São Domingos de Gragoatá feita no final do século XIX. Autoria de Marc Ferrez.. Clique para ampliar
Com as obras de modernização do Forte da Laje, iniciadas em 1896 para receber canhões Krupp em cúpulas de aço, Gragoatá recebe o seu material bélico, que mantém até à transferência do mesmo em 1898 para a ilha do Boqueirão. Nessa época, a fortificação passa a ser guarnecida pelo 6º Batalhão de Artilharia do Exército, comandado pelo Alferes Cândido José do Nascimento.

Desarmado em 3 de março de 1916, desde 1936 a comunidade local mobiliza-se para utilizar as instalações do forte como espaço cultural e de lazer. Nesse ano, o grupamento de escoteiros da Boa Viagem, sob a orientação do Almirante Benjamim Sodré, retira das águas um velho canhão colonial de alma lisa, carcomido pela ferrugem, além de um obuseiro datado de 1861, contemporâneo da reforma de 1863. Dois anos mais tarde, em 1938, viria o tombamento pelo Patrimônio Histórico e Artístico Cultural. Por iniciativa do interventor federal, Almirante Ernâni do Amaral Peixoto (1937-45), o Ministério da Guerra cede o imóvel ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, para que nele seja abrigado o Monumento e Museu da Fundação da República, criado em 26/ago/1941. Com a mesma finalidade, a Prefeitura Municipal de Niterói (gestão Barros Júnior), promove em 1943 obras de melhoria do entorno, construindo um jardim público, com bancos e replantio de flores e gramados, atendendo à comunidade. O prosseguimento das obras, bem como o projeto do Museu não foram concretizados em função do ingresso do Brasil na 2ª Guerra Mundial (1939-45).

Em 1952, o forte foi sede provisória da seção fluminense da Colméia de Pintores do Brasil, por iniciativa do artista-plástico Levino Fânzeres. Hoje o forte é sede da IIº Brigada de Infantaria.

Fotografia dos canhões do Forte de Gragoatá, feita no contexto da Revolta da Armada (1893-1895). Clique para ampliar
Tendo em vista a importância histórica e arquitetônica, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN- tombou a fortificação através dos processos nºs 101-T-38, inscrição nº 51, Livro Histórico, fl.10, e inscrição nº100, Livro Belas Artes, fl.18, em 24 de maio de 1938.

Em excelente estado de conservação, são dignos de nota a vista dos merlões e guaritas, os antigos canhões e morteiro inglês do século XIX, a galeria subterrânea dos paióis, e a bateria elevada. As visitas necessitam ser agendadas com a Comunicação Social do Forte.

Fotografia do Forte de Gragoatá. Sem data. Colaboração de Roberto Moraes. Clique para ampliar



Com informações do livro "Niterói Patrimônio Cultural", editado pela SMC/Niterói Livros em 2000, e "Fortificações do Brasil" de Carlos Miguez Garrido (1940)




Publicado em 15/01/2013






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