SÍMBOLOS DE NITERÓI
 
 
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Os símbolos de uma nação, um estado ou uma cidade são definidos por leis ou decretos e, normalmente, são compostos pela bandeira, brasão de armas e hino. Curiosamente, não encontramos nenhuma referência à adoção de um hino oficial para a cidade de Niterói. Nas comemorações é costume executar-se o "Hymno do Centenario da Creação da Villa Real da Praia Grande, hoje cidade de NICTHEROY" composto em 1919. A música é do Maestro Felício Toledo e os versos são do Dr. Senna Campos.

Almanir Grego e Nilo Neves compuseram "Vila Real da Praia Grande - Hino a Niterói", gravado no LP de Almanir Grego, pelo selo Niterói Discos, em 1992. Agradecemos a Jorge Mário e Glória Maria Teixeira Grego, filhos do escritor, poeta e compositor Almanir Grego e a senhora Edith Nunes Neves, viúva do professor e jornalista Nilo Neves, que gentilmente permitiram a reprodução da partitura e da letra do hino.

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Vila Real da Praia Grande - Hino a Niterói (Almanir Grego e Nilo Neves)


Vila Real da Praia Grande,
Sempre altaneira, operosa.
Vila Real da Praia Grande,
Terra feliz, dadivosa.
"Cidade Sorriso, encantada",
"Niterói, Niterói, como és formosa"

Por amor ao Brasil, unido, imenso,
Aprendeste a lição do "índio herói",
Começando a escrever, em São Lourenço,
Tua história, querida Niterói...

Evocando, orgulhosos, teu passado
De bravura, de trabalho e de nobreza,
Nós louvamos que Deus nos tenha dado
A paisagem de luz da natureza...


As bandeiras e os brasões das cidades surgiram antes das bandeiras dos países, mesmo porque as cidades se organizaram muito antes que os países. Considerados como as "armas" da cidade, bandeiras e brasões devem simbolizar as características principais de cada cidade

Em 1969, através do decreto nº. 1736/69, a Prefeitura de Niterói, "considerando que o brasão de armas do Município de Niterói, além de desatualizado, não obedece às normas da heráldica de domínio" e que "o Município de Niterói não possui bandeira que o represente", instituiu um concurso para a escolha de um novo brasão e de uma bandeira para a cidade. A proposta vencedora foi a de Alberto Rosa Fioravanti, que apresentou uma bandeira dividida em dois campos, com o brasão dentro. No dia 24 de novembro do mesmo ano, o prefeito Emílio Abunahman sancionava a Deliberação nº 2.687 da Câmara Municipal, oficializando a criação do Brasão de Armas e da Bandeira de Niterói.

O primeiro campo da bandeira, que ocupa dois terços do total, é branco, simbolizando a busca pela paz. O segundo campo é azul, simbolizando a vocação marítima da cidade. O brasão fica localizado no centro do campo branco.

A confecção de um brasão obedece às leis da heráldica, a arte ou ciência dos brasões, e, portanto, tem uma linguagem própria, com símbolos, cores e formas com significados específicos, utilizados conforme o que se queira transmitir.



Quanto às cores, são utilizadas o verde, significando renovação e esperança; o azul, simbolizando alegria, saber e lealdade; o vermelho, representando coragem, grandeza e valor; o amarelo ou o ouro, referente à justiça, fé e constância; o branco ou a prata, simbolizando a beleza, pureza e vitória.

Acima do escudo de uma cidade temos a coroa mural, formada por tantas torres quantas necessárias para indicar o grau de independência político-administrativa da localidade. Embora a representação de um brasão seja, normalmente, bidimensional, a coroa mural deve ser imaginada na forma de uma coroa, circular. Assim, nem todas as torres são aparentes no desenho, mas devem ser consideradas como existentes. Para se representar uma aldeia são utilizadas quatro torres, seis para uma vila e oito para uma cidade.

O brasão de Niterói tem a forma do escudo ibérico, utilizado em Portugal à época do descobrimento do Brasil, ressaltando, justamente, a origem portuguesa da nossa colonização. Oito torres coroam o brasão, das quais somente cinco são aparentes. As torres douradas são utilizadas exclusivamente para representar uma capital. À época em que nosso brasão foi criado, Niterói era a capital do antigo Estado do Rio de Janeiro, condição que perdeu com a fusão com o Estado da Guanabara, em 1975.

O brasão é dividido em cinco campos:

Campo superior esquerdo: ocupado por um cocar e duas flechas, representando a tribo Temininó de Araribóia, o fundador da cidade. O fundo é vermelho, numa possível alusão à coragem, grandeza e valor dos índios.

Campo superior direito: contém as iniciais IHS (Iesus Hominis Salvador - Jesus Salvador dos Homens), da Companhia de Jesus, e flechas, representando a união entre os jesuítas e os Temininós, que deu início à Aldeia de São Lourenço. Para o fundo foi escolhida a cor branca, que representa valores ligados à religião e à espiritualidade, como a beleza, a pureza e a vitória.



Campo inferior esquerdo: ocupado pela coroa imperial do segundo reinado, homenageando a Dom Pedro II, que deu à Niterói o título de Imperial Cidade. Aqui, o fundo é verde, cor representativa da renovação e da esperança, mas que é, também, a cor da casa de Bragança, da família imperial.

Campo inferior direito: a roda dentada simboliza a indústria, lembrando o fato de Niterói ter sido a pioneira na industrialização no Brasil, com a Cia Ponta d'Areia, do Barão de Mauá. Ao centro da roda dentada, o cetro de Mercúrio, deus do comércio. Mais uma vez é utilizada a cor vermelha, talvez procurando ressaltar a grandeza e valor desses empreendimentos.

Campo inferior: a Pedra da Itapuca, tornada famosa através dos ex-libris do Barão do Rio Branco e de algumas Lojas Maçônicas, representa nossas belezas naturais. O fundo azul, representativo da alegria, saber e lealdade, acreditamos que seja uma alusão às características da cidade e de seus habitantes.

Sob o brasão, duas faixas vermelhas desfraldadas trazem o nome da cidade e três datas: 1573, 1819 e 1835, alusivas, respectivamente, à fundação de Niterói, à criação da Vila Real da Praia Grande e à elevação da Vila à condição de cidade e capital da Província.

A Lei Orgânica Municipal, de 4 de abril de 1990, em seu artigo oitavo, incluiu a representação gráfica do Museu de Arte Contemporânea - MAC, como símbolo da cidade, ao lado do Hino e do Brasão, decisão ratificada pela emenda 14/97.


Maurício Vasquez
Pesquisa sobre bandeira e brasão - Renata Cavalcanti Pereira




Publicado em 28/06/2013






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